141ª EDIÇÃO - 13/3/2007 - Catho On Line - NewsLetter
Gestão de Pessoas
GARANTINDO A ÉTICA CORPORATIVA COM A REVOLUÇÃO CULTURAL
* Naísa Modesto
A ética corporativa envolve muito mais do que a relação entre os colaboradores dentro de uma empresa - envolve a relação de uma entidade com seus fornecedores, funcionários e consumidores.
Esta questão tem sido debatida constantemente nos últimos anos em diversos setores brasileiros. Percebendo a necessidade de solucionar alguns dos problemas das empresas, conversamos sobre o assunto com Salomão Rabinovich, psicólogo clínico, membro da Academia Paulista de Psicologia, professor de Ética Profissional, diretor do Cepat - Centro de Psicologia Aplicada ao Trânsito e presidente da Avitran - Associação das Vítimas de Trânsito. Ele oferece Consultoria em Ética Corporativa para facilitar o diálogo da empresa com seus funcionários e com o mercado.
O trabalho desenvolvido por Rabinovich aborda questões relativas ao comportamento e ao relacionamento com a adoção de uma postura transparente e correta por todas as partes envolvidas. "Ética corporativa é uma postura que a empresa tem, uma filosofia ética de respeito a todos os componentes do processo operacional até o consumidor final".
ÉTICA TAMBÉM SIGNIFICA RESPEITO AO CONSUMIDOR?
Com relação aos produtos e serviços oferecidos à população, é importante destacar que a empresa deve cumprir suas promessas... "Os consumidores têm o direito de serem respeitados. A empresa não precisa dar nada além do que aquilo que promete. Isso deve ser um jogo muito claro, o que não acontece, pois temos uma deficiência cultural muito grande no Brasil". Rabinovich acredita que estamos passando por uma crise moral: nossa dinâmica atual se baseia em ganhar, e a crise só pode ser resolvida se passarmos por uma revolução cultural. "Para ter uma postura ética, a empresa precisa transparecer isso, ou seja, é necessário que ela mostre que está interessada e que tenha capacidade de ouvir. Queremos desenvolver um trabalho que estimule uma relação ética entre empresa e funcionários, fornecedores e clientes. Infelizmente, muitas empresas fazem propaganda enganosa porque não têm infra-estrutura para dar um atendimento compatível à idéia que querem passar, o que se chama "hipocrisia social", afirma o psicólogo.
Ele ainda alerta sobre o grande número de golpes aplicados no País e sobre a postura dos brasileiros de apenas reclamar em vez de investir em mudanças reais e eficientes. "Acreditamos na necessidade de uma revolução cultural para o País, mas isso vai levar gerações para acontecer...".
Para que esta drástica mudança aconteça, é preciso que o exemplo seja dado desde o comportamento das empresas, segundo ele. "Precisamos sensibilizar as empresas e as corporações nacionais, multinacionais, pequenas e grandes, a mudarem sua filosofia. De nada adianta uma empresa querer desenvolver este trabalho se ela não contar com a pré-disposição da Diretoria, por exemplo".
O APOIO DA DIRETORIA É FUNDAMENTAL!
O trabalho começa com um diagnóstico feito a partir de conversas com a alta cúpula e com os executivos para saber qual é a queixa principal dentro da corporação - só depois é que são propostas algumas ações. Todo o processo deve ser acompanhado pelo Departamento de Recursos Humanos da empresa, o que é fundamental para garantir o andamento do trabalho.
O objetivo final é garantir a satisfação do cliente e, assim, torná-lo fiel à empresa. "Este tipo de Consultoria começou muito lentamente nos Estados Unidos e estamos trazendo esta semente para o Brasil. Garanto que os resultados tendem a ser maravilhosos, pois a partir deles poderemos fazer uma divulgação com base na satisfação de nossos clientes".
* Naísa Modesto é jornalista da Catho Online.
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